da série esquemas
Bastidor e letraset sobre papel de arroz. 90x120cm, 2025.
(tentativa #5)
Por meio de diagramas, gráficos e objetos, a série Esquemas investiga os espaços relacionais entre os conceitos de “eu”, "nós" e “o outro”, borrando os seus limites e revelando o caráter ilusório de uma suposta existência inerente e independente dessas entidades/territórios.
Em (territ)(delus)ório, um bastidor pousa sobre uma superfície contínua, ensaia a demarcação de um território: um dentro e um fora surgem, e a aparência de que aquilo que circunscreve possa existir de maneira autônoma. Essa fronteira, entretanto, é apenas sobreposta. “Eu” e “O Outro” permanecem inscritos sobre o mesmo papel de arroz (poroso, frágil, atravessável), compartilhando um substrato que antecede e transpassa o que tenta separá-los. O bastidor delimita, mas não separa; contém, mas não torna independente. Entre “Eu” e “O Outro”, a fronteira persiste como uma mera construção.
Por fim, a tipografia revela uma assimetria: o “Eu” ocupa mais espaço no campo de visão, apresenta-se como evidência; “O Outro” requer deslocamento, atenção. Para perceber o outro, é preciso se aproximar.
A obra foi exposta na mostra individual Camas Silenciosas para Palavras em Suspensão, no Memorial Meyer Filho, 2026.
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