Letraset sobre papel. Dimensões variáveis, 2025.
Em Frases Querendo, a linguagem surge como matéria dotada de impulso. Pequenos caracteres se agrupam, dispersam e percorrem a superfície do papel como se a frase pudesse abandonar sua função exclusivamente discursiva e adquirir movimento, direção e desejo. A linguagem é o próprio Eu agente da linguagem.
Cada trabalho parte de uma formulação em que a própria frase tenta alcançar alguma coisa: tocar, abraçar, aproximar-se daquilo que a origina ou daquilo que continuamente lhe escapa. Esse movimento encontra, porém, um limite. Rasgos estabelecem uma zona que a linguagem circunda, mas não consegue ocupar inteiramente.
A série se constrói justamente nessa tensão entre nomeação e impossibilidade de apreensão. O silêncio, nesse caso, não aparece apenas como ausência da linguagem, mas como um espaço que é limite e, ao mesmo tempo, aquilo que a coloca em movimento. Do lado do observador, ler passa a ser também um exercício onde se pode reconhecer aquilo que permanece suspenso entre a palavra e o que ela tenta alcançar.
[Série em expansão]
Uma frase querendo abraçar algo que é a nascente da própria frase.
Uma frase querendo tocar algo que só tem corpo quando escapa.
Uma frase querendo tocar algo que só tem corpo quando escapa.